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Descobertas de Einstein ainda revolucionam a ciência moderna, dizem pesquisadores

Descobertas de Einstein ainda revolucionam a ciência moderna, dizem pesquisadores

Tamanhas foram as contribuições do alemão Albert Einstein para a física, que os pesquisadores têm grande dificuldade para apontar qual foi a mais importante. Todos, no entanto, são unânimes em afirmar que as descobertas de Einstein, que completaria 137 anos nesta segunda-feira (14), revolucionaram a ciência moderna e causam grande impacto ainda hoje. Prova disso é a recente detecção das ondas gravitacionais previstas na Teoria da Relatividade há 100 anos. A descoberta abriu uma nova janela para o universo e inaugurou uma nova etapa para a ciência.

“As ondas gravitacionais vão revolucionar nosso conhecimento sobre o universo. Poderemos desvendar, por exemplo, o momento em que o universo surgiu”, afirma o pesquisador Odylio Aguiar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI).

Odylio integra o grupo de cientistas responsável pela descoberta das ondas de Einstein. “Estamos no início do caminho, mas Einstein imaginou que a confirmação demoraria muito tempo para acontecer ou nem aconteceria”, diz.

Em 2016, ainda sob o impacto da confirmação das ondas gravitacionais, é difícil falar de Einstein sem falar de Teoria da Relatividade.

“Porque foi, até agora, a maior descoberta da física do século 21. Só é possível comparar com Galileu, que descobriu um mundo novo quando apontou uma luneta para o céu”, afirma o pesquisador Martin Makler, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCTI).  “Pensar em Einstein é pensar em relatividade, em gravidade e, como consequência, em cosmologia, buracos negros e, claro, ondas gravitacionais. Mas, se elas foram previstas há 100 anos, qual a grande descoberta? Uma coisa é previsão teórica, mas observar é outra, e isso só foi possível graças aos avanços tecnológicos sem precedentes”, acrescenta.

É fato que Einstein é mais conhecido pela Teoria da Relatividade, mas suas “digitais” estão por toda parte. “Suas pesquisas foram fundamentais para o desenvolvimento da mecânica quântica, um dos pilares da física moderna e que levou à compreensão da estrutura da matéria e inúmeras aplicações”, explica Makler.

Seu modelo para o efeito fotoelétrico, por exemplo, foi crucial para a mecânica quântica e lhe rendeu o Prêmio Nobel em 1921. Seus estudos sobre a emissão estimulada possibilitaram a invenção do raio laser, de máquinas modernas, como scanner e impressora, do CD e do DVD e de inúmeras aplicações à medicina. “Até o GPS é uma invenção que podemos vincular às contribuições de Einstein”, diz o Odylio.

Gênio

Se é difícil para os pesquisadores apontar a maior contribuição do físico alemão para a ciência moderna, é ainda mais delicado sugerir uma característica da sua personalidade que o transformou em gênio.

“O segredo de Einstein é que ele era uma pessoa não convencional. Ele não se apegava a dogmas e, por isso, teve a audácia, a ousadia de pensar livremente”, avalia Odylio, do Inpe.

Para Martin, do CBPF, à genialidade de Einstein soma-se o contexto histórico. “Ele viveu numa época em que se podia fazer uma revolução com algo relativamente simples. A dinâmica mudou. Hoje, física é big science, depende de tecnologia e experimentos. Mas a obra de Einstein foi única. Não teve ninguém igual”, diz o pesquisador.

Fonte: MCTI